No Dia do Professor, a Mundo Livre lembra integrantes de Queen, Dire Straits, Legião Urbana e The Police que davam aula na sala antes de dar aula nos palcos.
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Numa aula de geometria em Brixton, o professor deixou a turma recortar formas em papel colorido e viu os alunos se atacarem com as tesouras, com sangue e papel pelo chão. O professor era Brian May, e a cena, que ele contou anos depois, vem do primeiro emprego de verdade que teve: em 7 de setembro de 1971, aos 24 anos, assumiu as aulas de matemática e ciências numa escola do bairro, um dos mais pobres de Londres.
O Queen ainda não tinha decolado, e a banda precisava pagar as contas. May contou que muitos alunos não queriam estar ali e que alguns levavam faca para a escola. Mesmo assim, diz que conseguia tornar a matemática divertida e que ainda recebe notícias de alguns daqueles garotos.
May não foi o único a trocar a lousa pelo palco, e no Dia do Professor a Mundo Livre lembra que a sala de aula também faz parte da história do rock. Sting, Mark Knopfler e Renato Russo ensinaram antes da fama, e nos quatro casos a sala de aula veio antes do palco.
O caso mais documentado é o de Sting. Depois de passar por empregos como condutor de ônibus, operário e fiscal de impostos, ele se formou professor em 1974 e deu aula por dois anos numa escola primária de Cramlington, no nordeste da Inglaterra, tocando à noite o trabalho que aparecesse. Poucos meses depois de largar a escola, mudou-se para Londres, e em janeiro de 1977 já formava o The Police.
Mark Knopfler trocou a redação pela sala. Depois de escrever notícia e crítica musical num jornal de Yorkshire e de se formar em inglês, em 1973, foi dar aula numa faculdade de Essex, perto de Londres, onde ficou três anos diante de uma turma que misturava secretárias, estudantes árabes e adolescentes problemáticos. Nas horas vagas, dava aulas particulares de guitarra e tocava em pubs da região com a Café Racers, até fundar o Dire Straits, em 1977.
No caso de Renato Russo, o ofício veio de casa: a mãe era professora de inglês, e ele dominou a língua morando em Nova York dos 7 aos 10 anos. Em Brasília, passou três anos lecionando língua e literatura inglesa, numa das escolas a Cultura Inglesa, e chegou a trabalhar como jornalista de rádio. Em 1982, fundou a Legião Urbana.
O caminho inverso também existe. Greg Graffin, vocalista do Bad Religion e doutor em zoologia por Cornell, passou a dar aulas em tempo integral na UCLA em 2007 e depois voltou a Cornell para ensinar evolução, sem largar a banda.
Em abril de 2023, aos 71 anos, Sting voltou à região onde nasceu para um show beneficente e saiu em defesa dos professores britânicos na disputa por salário. Disse o que pensa do ofício.
Ensinar é um dos trabalhos mais importantes da nossa sociedade.
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