Relatório da Luminate mostra que as vendas de CDs cresceram mais que as de vinil no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelo colecionismo e pelo interesse da Geração Z.

Os CDs superam o vinil em ritmo de crescimento nas vendas e voltaram ao centro das discussões sobre o mercado de música física. Embora o vinil continue sendo o formato mais associado ao renascimento desse segmento, um novo levantamento da Luminate (via Consequence) revela que os discos compactos registraram o maior avanço proporcional no primeiro semestre de 2026.
Segundo o relatório, foram comercializadas 16,3 milhões de unidades em CD nos Estados Unidos entre janeiro e junho, um crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho ficou bem acima do aumento de 2,4% registrado pelo vinil e acompanha uma expansão mais ampla do mercado de mídias físicas.
Crescimento do CD reflete mudanças no consumo de música
Embora o K-pop tenha contribuído para o avanço das vendas, a Luminate afirma que a recuperação do CD não pode ser explicada apenas pelo sucesso do gênero. O relatório mostra que, mesmo excluindo as vendas do BTS e de todo o catálogo de K-pop, o formato ainda registrou crescimento de 6,7% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Os dados indicam uma expansão mais ampla do mercado de mídias físicas. Entre janeiro e junho de 2026, as vendas de LPs, CDs e fitas cassete somaram 38,2 milhões de unidades nos Estados Unidos, alta de 7,8% na comparação anual.
Outro dado chama atenção para a mudança nos hábitos de consumo. Segundo a pesquisa, 60% da Geração Z afirmam ouvir principalmente músicas lançadas nos anos 1990 ou antes. Em 2021, esse índice era de apenas 18%, sugerindo um interesse crescente por catálogos clássicos e pela descoberta de artistas de outras épocas.
Colecionismo impulsiona o renascimento das mídias físicas
O crescimento dos CDs também acompanha uma mudança na relação do público com a música. Para muitos consumidores, especialmente os mais jovens, o disco deixou de ser apenas um suporte de reprodução e voltou a ocupar espaço como item de coleção.
Capas, encartes, edições limitadas e versões exclusivas transformam o álbum físico em um objeto de valor para fãs. Esse modelo de consumo ganhou força principalmente com o K-pop, cujos lançamentos costumam incluir photocards, embalagens especiais e conteúdos extras, mas a estratégia também tem sido adotada por artistas de rock e pop em reedições comemorativas e edições de luxo.
Os canais de venda refletem esse movimento. Embora as lojas de discos independentes continuem liderando o setor, grandes redes varejistas ampliaram sua participação durante o primeiro semestre de 2026 e já respondem por quase 30% das vendas de álbuns físicos nos Estados Unidos.
O streaming ajuda a explicar o retorno dos CDs
O crescimento da mídia física não representa uma substituição do streaming, mas uma mudança na forma como parte do público consome música. É cada vez mais comum descobrir um artista nas plataformas digitais e, depois, adquirir o álbum em CD ou vinil para integrar uma coleção.
Além do aspecto funcional, possuir uma mídia física tornou-se uma forma de manter uma ligação concreta com a obra e com o artista. Em um ambiente dominado pelo consumo digital, o álbum passa a oferecer uma experiência diferente, reunindo projeto gráfico, encarte, conteúdo exclusivo e valor afetivo em um único objeto.
Os números da Luminate mostram que os CDs superam o vinil em ritmo de crescimento e que o renascimento da música física entrou em uma nova fase. O vinil segue relevante, mas o CD, antes visto como um formato ultrapassado, volta a ganhar espaço entre colecionadores e novos consumidores.
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