O Oscar de Walter Salles e a passagem de Kleber Mendonça Filho por Cannes ajudaram a colocar o Brasil no radar global, mas o movimento agora aparece também em novos projetos, produtores e acordos internacionais.
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O cinema brasileiro ganhou uma vitrine internacional que começa a produzir efeitos além das premiações. Depois de Walter Salles levar o Oscar de Melhor Filme Internacional com Ainda Estou Aqui, em 2025, Kleber Mendonça Filho repetiu a presença brasileira no centro da indústria com O Agente Secreto, vencedor dos prêmios de direção para o cineasta e de atuação para Wagner Moura no Festival de Cannes de 2025. O longa ainda recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme.
O Brasil passou a entrar no projeto desde o começo
A diferença agora aparece nos bastidores. Em vez de o país participar apenas quando uma produção brasileira chega a um grande festival, produtoras locais estão entrando em projetos pensados desde o início como empreendimentos internacionais.
Um dos exemplos é Zero K, dirigido pelo norte-americano Michael Almereyda e baseado no romance de Don DeLillo. Filmado em São Paulo, o longa reúne a brasileira RT Features com empresas dos Estados Unidos e da Grécia e traz Selton Mello no elenco ao lado de Peter Sarsgaard, Britt Lower e Caleb Landry Jones.
O mesmo modelo aparece em The Funeral, de Carolina Markowicz, coprodução entre Brasil e Portugal, e em Ana, en Passant, de Fernanda Salgado, realizada entre Brasil, Portugal e França. São projetos diferentes em escala e linguagem, mas com uma característica em comum: o Brasil participa da construção industrial e criativa da obra.
De Cannes para uma indústria mais conectada
O caso de Paper Tiger, de James Gray, ajuda a entender essa mudança. Produzido por Rodrigo Teixeira, da RT Features, o filme disputou a Palma de Ouro em Cannes em 2026, com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller no elenco. A presença brasileira, portanto, acontece dentro de uma produção dirigida por um cineasta americano e destinada desde o início ao circuito internacional.
A própria existência de diferentes empresas brasileiras apostando em coproduções sugere que o efeito de Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto vai além de uma temporada excepcional de prêmios. O país passa a ser visto também como parceiro de produção, fornecedor de talentos e espaço para projetos internacionais. Para o cinema brasileiro, esse talvez seja o desdobramento mais importante da última temporada de festivais: a porta aberta pelas premiações começa a ser usada para produzir os próximos filmes.
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