Robert Pattinson assume o papel do apresentador que transformou uma operação contra predadores sexuais em fenômeno da televisão americana dos anos 2000, enquanto Phoebe Bridgers estreia em um papel dramático de destaque.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
Robert Pattinson interpreta Chris Hansen em Primetime, filme da A24 que recupera um dos fenômenos da televisão americana dos anos 2000. O apresentador ficou conhecido por To Catch a Predator, programa exibido dentro do Dateline NBC em que homens que acreditavam conversar com menores de idade pela internet eram atraídos para casas preparadas com câmeras escondidas e confrontados diante das gravações.
A história se passa em 2006, quando o programa já era popular e recebeu um novo horário na grade da NBC, passando a disputar audiência com Lost, então um dos maiores sucessos da televisão americana. É nesse momento que Primetime acompanha Hansen, sua produtora Andie e os demais integrantes da equipe, enquanto a pressão por audiência começa a mudar o tamanho e o alcance das operações.
Quem é Chris Hansen, interpretado por Robert Pattinson?
O programa alcançou grande popularidade justamente quando a televisão aberta ainda concentrava enorme parte da atenção do público americano e a internet começava a alterar a maneira como as pessoas se conheciam e se comunicavam. Primetime volta a 2006, quando o sucesso de To Catch a Predator coloca a equipe de Hansen diante de uma nova pressão por audiência.
Hansen e sua produtora Andie, interpretada por Merritt Wever, descobrem que o programa ganhou um novo horário na NBC e passará a ser exibido no mesmo horário de Lost, um dos maiores sucessos da televisão americana naquele momento. Com a disputa pela audiência, Hansen passa a procurar alvos de maior visibilidade, enquanto a equipe começa a lidar com os limites de transformar aquelas operações em entretenimento.
Robert Pattinson encontra um Chris Hansen desconfortável
A interpretação de Robert Pattinson explora justamente essa consciência de estar sempre diante de uma plateia. Antes de uma abordagem, Hansen ensaia suas falas e trabalha a maneira como vai conduzir o confronto, fazendo com que a postura televisiva do apresentador se torne parte essencial do personagem.
O filme também acompanha Dan, interpretado por Skyler Gisondo, um novo contratado que entra diretamente no universo das gravações, e Del, vivida por Phoebe Bridgers. Ela já trabalhou com vítimas de abuso sexual e passa a questionar os limites morais de uma produção que transforma situações reais em entretenimento.
A presença de Bridgers é um dos elementos que aproxima Primetime do público musical, já que a cantora assume um dos principais papéis dramáticos do filme. Segundo a crítica da Consequence, sua atuação funciona como contraponto à lógica da produção.
A televisão dos anos 2000 volta em versão desconfortável
Dirigido por Lance Oppenheim, Primetime recria 2006 com diferentes formatos de câmera, imagem granulada, cores saturadas e uma estética próxima daquela televisão anterior à explosão do YouTube. O resultado recupera um período em que programas de grande audiência disputavam espaço diretamente no horário nobre.
A crítica da Consequence também destaca o contraste entre Pattinson e o restante do elenco, especialmente a maneira como Hansen parece cada vez mais distante enquanto Andie tenta manter a produção funcionando e Del questiona o próprio sentido daquele trabalho.
Primetime chega aos cinemas em 25 de setembro e revisita um programa muito específico da televisão americana para explorar o que acontecia quando as câmeras continuavam ligadas depois das abordagens e a busca por audiência começava a pesar sobre quem produzia e participava daquelas operações.





