Tom Morello durante apresentação ao vivo, guitarrista defende o posicionamento político de artistas em entrevista à Metal Hammer.

Tom Morello defende músicos politizados e diz que silêncio favorece o autoritarismo

18 de junho de 2026

Guitarrista do Rage Against the Machine voltou a rebater críticas sobre artistas que se posicionam politicamente e associou a liberdade de expressão à resistência cultural.

Crédito: Reprodução YouTube/@MetalHammer666

Tom Morello voltou a comentar a relação entre música e política. Em entrevista à Metal Hammer, o guitarrista do Rage Against the Machine afirmou que críticas a músicos politizados costumam surgir quando o público discorda das opiniões expressadas.

O músico também argumentou que a liberdade de expressão não deveria ser limitada pela profissão e classificou o silêncio diante de injustiças como uma forma de favorecimento ao autoritarismo.

Tom Morello questiona críticas a músicos que falam de política

Durante a entrevista, Morello afirmou que pedidos para que artistas deixem a política de lado geralmente refletem discordâncias ideológicas, e não uma oposição genuína à mistura entre música e posicionamento público.

“Quando as pessoas dizem que músicos não deveriam se envolver com política, na verdade estão dizendo que discordam da sua opinião política. Porque, no instante em que você compõe uma música que concorda com as ideias delas, elas passam a apoiar. Então, primeiro, é muito hipócrita”, declarou.

O guitarrista também defendeu que músicos não deveriam abrir mão da liberdade de expressão por causa da profissão. “Por que você deveria abrir mão do seu direito à liberdade de expressão por causa do trabalho que faz? Por isso ofender alguém? Acho que o oposto é o que realmente faz sentido”, afirmou.

Morello argumentou ainda que a cobrança para que artistas permaneçam em silêncio não deveria existir, já que qualquer profissional tem o direito de manifestar suas convicções. Segundo ele, esconder opiniões por receio de críticas ou reações negativas representa uma forma de autocensura.

“Você presta um desserviço a si mesmo e ao seu tempo quando censura quem você é dentro do seu trabalho”, disse. O músico acrescentou que o problema não se restringe ao universo artístico e vale para qualquer profissão. Na sequência, fez uma das declarações mais contundentes da entrevista ao afirmar que “existe uma camada especialmente quente do inferno reservada para pessoas que, em tempos de grande injustiça, censuram a si mesmas e permanecem caladas quando deveriam ter se manifestado”.

Tom Morello vê arte como forma de resistência

Ao abordar o cenário político dos Estados Unidos, Morello afirmou que manifestações artísticas ganham ainda mais relevância em períodos de polarização e pressão sobre a liberdade de expressão.

“Nestes momentos perigosos, em que há tanta repressão de ideias, censura de livros e artistas sendo cancelados por suas opiniões políticas, o simples fato de se manifestar já é importante”, declarou.

O guitarrista também criticou o clima político atual do país e afirmou que muitos artistas e cidadãos evitam expor opiniões por medo das consequências. Segundo ele, esse ambiente favorece o avanço de práticas autoritárias.

“Nós temos um presidente que irá pessoalmente atrás de você e mobilizará o Departamento de Justiça contra você se você se posicionar contra o regime dele. Isso acaba intimidando muita gente e fazendo com que não expressem o que pensam”, afirmou.

Para Morello, permanecer em silêncio diante desse cenário representa um risco maior do que enfrentar críticas públicas.

“Mas, no momento em que você se cala, o autoritarismo vence. É nesse momento que o fascismo avança mais alguns passos. Por isso, todo ato de arte é um ato de resistência”, concluiu.

Ativismo sempre esteve presente na carreira de Tom Morello

As declarações reforçam uma postura que acompanha Morello desde o início de sua trajetória. Além do Rage Against the Machine, o guitarrista levou pautas políticas para projetos como Audioslave, Prophets of Rage e sua carreira solo.

Formado em Ciência Política pela Universidade Harvard, o músico frequentemente participa de debates públicos sobre direitos civis, desigualdade social e liberdade de expressão. Ao longo da carreira, também se envolveu em campanhas e iniciativas ligadas a movimentos sociais, transformando o ativismo em uma das marcas mais reconhecidas de sua atuação artística.

Nos últimos meses, Morello esteve ao lado de Bruce Springsteen em apresentações da turnê Land of Hope and Dreams, série de shows que ganhou repercussão pelas críticas direcionadas ao governo Trump.

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