Tom Morello revela por que seu primeiro álbum solo de rock é tão pessoal: “É o primeiro grande disco de riffs”
20 de agosto de 2026
Guitarrista prepara Everyone Gets Everything They Want, seu primeiro álbum solo de rock, enquanto transforma histórias de resistência, família e política em material para uma nova fase da carreira.
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube/Tom Morello – ADJOURN IT
Tom Morello está prestes a preencher uma lacuna inesperada em sua carreira: aos 62 anos, o guitarrista lança seu primeiro álbum solo de rock. Conhecido pelo trabalho à frente de Rage Against the Machine e Audioslave, além de colaborações com nomes como Bruce Springsteen, Morello explicou ao programa Loudwire Nights por que Everyone Gets Everything They Want ocupa um lugar particular em sua discografia.
A novidade não está apenas no formato. Ao longo de décadas, Morello construiu sua trajetória principalmente dentro de bandas e projetos colaborativos. Agora, pela primeira vez, sua guitarra, seus riffs e suas composições conduzem sozinhos um álbum concebido integralmente dentro do universo do rock.
“Eu fiz discos do Rage Against the Machine, fiz Audioslave, fiz discos pop, discos do Bruce Springsteen, e os discos que tiveram meu nome sempre foram predominantemente trabalhos colaborativos.”
Segundo o guitarrista, Everyone Gets Everything They Want representa uma experiência diferente até mesmo em relação aos projetos que marcaram sua carreira. Morello o descreve como seu 22º disco e compara a sensação de criá-lo àquela dos primeiros trabalhos de Rage Against the Machine e Audioslave.
“Este é o primeiro grande álbum solo de rock, com riffs enormes, do Tom Morello.”
Por que o primeiro álbum solo de rock de Tom Morello é diferente
A declaração de Morello ajuda a explicar o peso do projeto. Mesmo sendo um dos guitarristas mais reconhecíveis do rock contemporâneo, sua trajetória foi construída principalmente dentro de formações e colaborações. Rage Against the Machine, Audioslave, Prophets of Rage e os trabalhos com diferentes artistas sempre colocaram sua guitarra dentro de uma dinâmica coletiva.
Agora, a proposta é outra.
Morello descreveu o disco como algo que lhe proporciona a sensação de estar diante de “algum grande rock que está surgindo para encontrar o dia”. Para ele, essa liberdade artística é justamente uma das características mais satisfatórias do álbum.
A escolha também parece reforçar uma característica que acompanha o músico desde os anos 1990: usar o rock como instrumento de comentário político e social. Essa combinação aparece de maneira especialmente evidente em “Date Night”, uma das faixas apresentadas antes do lançamento do disco.
O próprio Morello explicou que a música nasceu de uma história que, durante anos, imaginou como possível roteiro de cinema.
“Eu sempre achei que essa história deveria virar um filme. Eventualmente, cheguei a um ponto em que não vou esperar alguém fazer o filme. Vou escrever a música e lançá-la como single.”
“Date Night” transforma uma história da Segunda Guerra Mundial em música
“Date Night” acompanha a história de três adolescentes holandesas que participaram da resistência contra a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo Morello, elas atraíam oficiais nazistas para áreas de floresta e os matavam, além de participar de ações de sabotagem contra pontes e trens e ajudar crianças judias a escapar da perseguição.
A história também tem um desfecho particularmente trágico. Duas das jovens sobreviveram à guerra e chegaram à velhice. A mais nova, Hannie Schaft, foi capturada, torturada e assassinada pelos nazistas.
Morello afirmou que queria escrever uma música dedicada às três.
“Eu queria escrever uma música para elas.”
A escolha não é casual dentro da obra do guitarrista. Morello explicou que a faixa funciona como uma homenagem “a todos aqueles que enfrentam uma autoridade fascista”. A canção, portanto, mantém uma das linhas mais reconhecíveis de sua carreira: transformar acontecimentos históricos e conflitos políticos em matéria-prima para o rock.
Há ainda uma conexão familiar na própria construção musical da faixa. O riff de “Date Night” foi escrito por Roman Morello, filho do guitarrista.
“Ele tem DNA Morelliano suficiente para que, às vezes, eu pense: ‘Eu gostaria de ter escrito esse’.”
Tom Morello conseguiu mostrar o disco para a mãe antes de sua morte
O novo álbum também ganhou um significado pessoal depois da morte de Mary Morello, mãe do guitarrista, aos 102 anos, em 12 de julho de 2026.
Morello contou que teve a oportunidade de apresentar Everyone Gets Everything They Want à mãe antes de sua morte.
“Estou feliz por ter conseguido tocar o disco inteiro para minha mãe antes de ela morrer.”
A reação dela, segundo o guitarrista, foi bastante característica.
“Ela sempre foi muito direta nos comentários sobre minha música ao longo dos anos. Eu perguntei: ‘O que você acha, mãe?’. Ela disse: ‘É bom’. E eu pensei: vou aceitar.”
A lembrança oferece uma dimensão diferente para um álbum que, à primeira vista, poderia ser entendido apenas como a estreia de Morello em um formato solo de rock. O músico está lançando um disco construído em torno de sua identidade artística, mas também chega a esse momento carregando uma perda familiar recente.
O que Tom Morello prepara depois do álbum
Além do disco, Morello também falou sobre o Power to the People, festival que será realizado na região de Washington, D.C., em 3 de outubro.
O evento segue a mesma combinação entre música e posicionamento político que marca parte importante de sua carreira. Morello definiu a proposta como uma tentativa de “salvar uma democracia que está afundando”, mas também como a criação de um dia que represente o tipo de mundo que ele gostaria de ver.
“O Power to the People é um show para tentar salvar uma democracia que está afundando, mas, nesse processo, tentar criar um dia e uma noite, naquele dia, do mundo que gostaríamos de ver um dia.”
A programação pretende reunir rock, hip-hop e diferentes artistas em torno da ideia de resistência e participação política.
Morello também recordou um momento de Back to the Beginning, quando teve a oportunidade de assistir a um ensaio do Black Sabbath em Birmingham. O músico estava acompanhado de Steven Tyler, Nuno Bettencourt, seu filho Roman e outros artistas quando descobriu que a banda estava fazendo a passagem de som.
Eles ouviram “War Pigs” enquanto o sol se punha.
“É como um show particular de ‘War Pigs’, a segunda última vez que eles tocariam aquela música. No final, estávamos gritando e enlouquecendo.”
Ao falar sobre sua maneira de trabalhar, Morello também citou novamente Bruce Springsteen como uma influência importante em sua postura profissional.
“Eu sempre penso que o show desta noite vai ser o melhor show. E então você tenta superar aquele amanhã. É a mesma coisa com cada solo de guitarra, com cada disco.”
Essa busca também ajuda a explicar a ambição por trás de Everyone Gets Everything They Want. Morello reconhece a dimensão de seu próprio catálogo, mas diz que não se sente intimidado por ele.
“Há muitos discos ótimos no meu catálogo, mas quando vou ouvi-los, não fico intimidado. Penso: ‘Tudo bem, vamos tentar superar essas jams’.”
O princípio, segundo ele, continua sendo a autenticidade:
“A Estrela do Norte que sempre guiou essa música é que ela é autêntica.”